O consórcio Fla-Flu protocolou uma nova manifestação judicial para impedir a realização da partida de ida da semifinal da Copa Sul-Americana entre Vasco e Boca Juniors no Maracanã, marcada para 20 de outubro. A administração do estádio alegou a necessidade de preservação do gramado recém-trocado e argumentou que o confronto criaria um intervalo de aproximadamente 48 horas entre partidas, abaixo da recomendação técnica de 72 horas.46315

Na petição, a defesa do consórcio destacou o calendário de partidas no Maracanã durante o mês de outubro, com jogos programados para os dias 8, 11, 14, 18 (Fluminense x Santos), 22 (Flamengo x Estudiantes), 26 e 28. O consórcio sustentou ainda que o Vasco atuou no estádio em seis ocasiões desde 2025 e apontou recusas recentes a eventos solicitados pelo próprio Flamengo para comprovar que o veto não se restringe ao Cruzmaltino.46315

Argumentos do Vasco e análise da segurança pública

O Vasco contesta a justificativa na Justiça sustentando que o campo do Maracanã foi totalmente substituído após a partida da NFL e que o local já abrigou confrontos com intervalo de 24 horas em maio deste ano.1

“(…) Essa renovação altera a própria premissa material da negativa, pois tanto as reclamações sobre a qualidade do piso quanto as referências ao desgaste acumulado ao longo do inverno dizem respeito ao campo que está sendo substituído.”Vasco da Gama1
“(…) A proximidade entre os jogos, isoladamente considerada, não oferece explicação coerente para a recusa, quando sequências de igual número de partidas, distribuídas em menor tempo total, foram acolhidas para Flamengo e Fluminense.”Vasco da Gama1

Em paralelo, o Batalhão Especializado em Policiamento em Estádios (BEPE) produziu um relatório técnico avaliando o Estádio Nilton Santos. A análise concluiu que o local atende à exigência mínima de 30 mil lugares estabelecida pela Conmebol, com capacidade para 44.661 pessoas, disponibilidade na data de 20 de outubro e garantias operacionais de segurança. Apesar da viabilidade do Nilton Santos, o BEPE ressaltou que o Maracanã permanece como a alternativa preferencial sob a perspectiva de segurança pública e planejamento logístico.4635

O Vasco recusa atuar no Nilton Santos por avaliar que a superfície de grama sintética do estádio causa prejuízo técnico aos seus jogadores. A utilização de São Januário também está descartada pelo clube porque o estádio próprio tem capacidade inferior ao limite de 30 mil lugares exigido pela Conmebol para a fase semifinal do torneio.1

Trâmite na Justiça e prazos da Conmebol

A ação movida pelo Vasco na 2ª Vara Cível da Capital havia sido suspensa provisoriamente em 2 de outubro pela juíza Adriana Laia Franco. A magistrada tomou a decisão devido à existência de uma Ação Popular iniciada por um torcedor vascaíno na 5ª Câmara de Direito Público e concedeu 48 horas para a manifestação do consórcio gestor.2

“O que se trata aqui é de tutelar a segurança jurídica como pilar da atividade jurisdicional, não podendo este juízo proferir decisão a respeito de pedido idêntico àquele já sub judice junto à 5ª Câmara de Direito Público deste E. Tribunal de Justiça”Adriana Laia Franco2

O clube de São Januário corre contra o tempo, pois tem até o dia 5 de outubro como prazo final para indicar formalmente à Conmebol o estádio do Rio de Janeiro que receberá a semifinal contra o Boca Juniors.1

  1. Torcedor ajuíza Ação Popular sobre a cessão do Maracanã pelo consórcio Fla-Flu
  2. Vasco ingressa com ação, suspensa pela juíza para manifestação do consórcio em 48 horas
  3. Consórcio Fla-Flu protocola nova petição e BEPE classifica Maracanã como opção preferencial
  4. Prazo limite para o Vasco comunicar à Conmebol o estádio da semifinal
  5. Data agendada para o confronto de semifinal entre Vasco e Boca Juniors